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  • M. Marinho

É melhor já ir…

O resultado da última eleição, sem dúvidas, inaugura uma nova fase no cenário político brasileiro.


O jogo do poder está, após a legitimação nas urnas de uma linha discursiva calcada em pautas morais e slogans histriônicos – que em si carregam o vazio da ausência de racionalidade e senso crítico sobre aquilo a que se opõem – transformando o cenário sócio-político do país.

Foto: M.M em santa maria degli angeli e dei martiri monumenti

Pessoas e grupos tomados por discursos de ódio e/ou promovendo pautas conservadoras associadas ao fundamentalismo religioso estão agora se sentido legitimados a impor ao restante da sociedade suas agendas.


Confiantes no obscurantismo dos temas que propalam e na baixa educação e senso crítico daqueles que se dedicam a apoiar tais aberrações, além, claro, de serem reforçados pelo maucaratismo de oportunistas que veem nesses movimentos a oportunidade para ascenderem ao Poder, grupos estão se organizando e agindo para aplacar qualquer tipo de ideologia que destoe das suas.


Com um discurso “anti-doutrinação”, proselitistas de vários matizes estão aproveitando a desmobilização das forças progressistas e a ascensão da face militarista-religiosa dos atuais mandatários da nação para destruir todo o trabalho realizado em anos e anos de dedicação de pedagogos(as), pesquisadores(as), professores(as) e demais pensadores(as) que não alinham com essa nova caça às bruxas, e sempre agiram em prol do direito ao livre pensamento.


Negando até mesmo os preceitos básicos da fé que dizem seguir, como: lívre-arbítrio, amor ao próximo, respeito às diferenças, inclusão dos necessitados, entre outros, e também normativas legais definidas na Constituição Federal, como a liberdade de culto, de cátedra, de expressão, dentre muitos mais direitos constituidos e consagrados da nossa Carta Magna, essas hordas de doutrinados e, eles sim, doutrinadores, atuam para ampliar as bases para o momento que se avizinha.


Há anos o investimento de líderes religiosos em partidos e atores políticos era vísível. Há vários pleitos a onda conservadora vinha dando sinais de que se abateria sobre os parlamentos sob o nome de “bancadas evangélicas”, “da bala” e do “boi”. Não que todos ali, de fato, representem esse tipo de retrocesso, mas quem não o faz, geralmente, se omite em prol de interesses particulares.


Já houve um tempo onde essa associação entre Estado e Igreja era o que determinava o destino de todos que estavam sob seu domínio, e esse tempo ficou conhecido como idade das trevas.


Se as forças progressistas desse país não começarem, urgentemente, a se reorganizar, a se comunicar de modo efetivo e equalizado com as demandas e capacidades cognitivas da população que também será vítima dessas sombras, é melhor já ir se acostumando com nosso avanço rumo ao passado.


Marcos Marinho

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